quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Rolling Stone 2008


A Máquina Limpa Adolescente






Com uma turnê espantosamente popular e um novo álbum que é esperado vender milhões, os Jonas Brothers foram de novidade da Disney a fenômeno. Tudo que eles querem é que você os veja como uma banda de verdade.

Materia

São perto de 20h00min de uma noite abafada em Phoenix, e enquanto a temperatura fica piedosamente abaixo de 38°C, um trilhão de hormônios inchando se juntam no Pavilhão Cricket Wireless para conhecer os Jonas Brothers. Entre os pequenos peregrinos que vieram estão Jordan e Jackie, um par de loiras pré-adolescentes dos arredores de Scottsdale. Momentos atrás, elas conheceram os Jonas Brothers pessoalmente em um "meet and greet" com a oportunidade de tirar fotos, e agora elas estão com suas bochechas coradas, tremendo e chorando incontrolavelmente, como se tivessem contado a elas que a Disneylândia pegou fogo, com o suprimento mundial de gatinhos e bebês panda preso dentro.
"Aimeudeusaimeudeusaimeudeus", diz Jordan, com os braços para cima e sacudindo suas mãos no ar.
"Estou arrepiada pelo corpo todo, porque eu-acabei-de-conhecer-Nick-Jonas,” diz Jackie.
“Eu quero conhecer eles desde tipo, a minha vida inteira,” Jordan diz.
Quantos anos você tem?
“Dez”
É assim em todo lugar. Em um concerto dos Jonas Brothers em Dallas, eu conheci uma garota de 17 anos que se chamava Lauren que foi anfitriã de uma festa-premiere de tapete vermelho em sua casa para o recente filme dos irmãos, Camp Rock. (“Até mesmo as minhas amigas que não gostavam, conseguimos fazer elas se arrumarem,”, ela disse.) Eu conheci garotas de Baton Rouge, Louisiana, cujo pai levou 7 horas de carro até um concerto (“Ele estava com um iPod”). Eu conheci muitas fãs que, como os Jonases, usam “anéis de pureza”, jurando castidade até o casamento. Eu conheci uma garota precoce de 11 anos chamada Hannah (não a Montana) de Nova Iorque. “Nós temos que ensinar as pessoas a gostarem de Jonas Brothers,” ela me ordena sacudindo o dedo. E porque Hannah de Nova Iorque está em Dallas?
“Para ver os Jonas Brothers,” ela diz. “Dã.”
De volta à Phoenix, os irmãos Jonas – Nick, 15, Joe, 18 e Kevin, 20 – estão se preparando para começar o show. Os três garotos têm menos de 1m77cm (aproximadamente), e todos possuem fantásticas jubas de cabelos castanho escuro. O cabelo de Joe é liso por prancha. Kevin costumava alisar o seu, mas agora está cacheado novamente, e tem grossas costeletas; Nick, o escritor de músicas principal dos irmãos e líder, sempre manteve os cachos. Por baixo do justo paletó marrom de linho de Nick há uma bomba de insulina, aderida à parte inferior das suas costas. Nick foi diagnosticado com diabetes Tipo 1 em 2005 e deve monitorar cuidadosamente o nível de açúcar do sangue; o gigantesco segurança da banda, Big Rob, carrega uma seringa com insulina todo o tempo no caso de uma emergência. O corredor dos bastidores rapidamente enche com membros da estendida família Jonas. Há uma banda de apoio – caras nos seus 20 anos de idade, alguns estão com os JB’s desde os dias em que eles agitavam ao redor de Nova Jersey tocando em clubes sujos. Têm uma horda de cordas feminina usando camisas, contratadas para tocar no palco. Tem o polido co-diretor da banda Phil McIntyre, e tem o Kevin Jonas Sr., o pai dos garotos, de cabelos castanhos, voz suave e 43 anos. Anteriormente músico Cristão e pastor de Igreja criado na Carolina do Norte, Kevin Sr. está a serviço com McIntyre como o co-diretor da banda. O grupo forma um círculo e bate palmas. “Duas coisas rápidas,” diz Kevin Sr. “Nós trouxemos quatro pessoas da grama até a primeira fila hoje, então todos estão bem emocionados.” Essa é uma norma Jonas – tirar fãs entusiastas do fundo e dar a elas os melhores lugares da casa. Kevin Sr. fala para a banda ficar de olho em um time de softball de uma garota que teve uma colega de 13 anos da equipe morta em um acidente de carro na estrada. “Elas estão bem no final da passarela,” ele diz. “Uma delas está usando a camiseta que a menina ia usar hoje à noite”.
Kevin Sr. mergulha sua cabeça em uma reza. “Pai divino, nós apenas rezamos para que Você nos abençoe essa vez, faça com que seja divertido e seguro e emocionante,” ele diz. “Muito obrigado por todas as pessoas que estão aqui. Estávamos com apenas 60% uma semana atrás, e parece cheio. Deus, nós apenas rezamos para que cada pessoa seja encorajada em nome de Jesus.”
Os membros da banda e equipe gritam. “Tragam para dentro!” eles berram. Mãos se juntam e levantam para o alto.
“Vivendo o sonho!” eles gritam.
Big Rob escolta Nick, Kevin e Joe até seus lugares. De repente, as luzes apagam, despertando rugidos no Pavilhão Cricket Wireless de 20,000 lugares que só pode ser descrito como primata. E é, de um jeito. A neuropsiquiatra Dr. Louann Brizendine, autor do Best-seller “O Cérebro Feminino”, diz que a liberação de dopamina do cérebro de adolescentes gritando quando vêem seus ídolos pop é como “injetar heroína”. Estando com outras garotas gritando, ela diz, apenas faz o efeito mais fervoroso.
“Tem uma coisa na Biologia que chamamos de sincronia,” diz Brizendine. “Basicamente, uma garota afeta outra que afeta outra, e vira um efeito dominó levando ao nível de histeria. Elas estão tendo todas essas doses de dopamina, e também oxitocina, que é o hormônio do amor e da união. Garotas adolescentes têm tanto estrogênio, que catapulta o nível de dopamina e oxitocina no cérebro, criando esse tipo de precipitação extática nelas mesmas e em outras. É verdadeiramente um estado de amor em êxtase.”
Hoje em Phoenix, enquanto os Jonas Brothers começam com seu hino alegre, movido a guitarras, “That’s Just The Way We Roll”, soa bastante como amor extático. Soa como uma limpa, saudável diversão. Também soa como dinheiro.
“Dois anos atrás, nós estávamos em uma grande van vermelha de passageiros com um trailer preso atrás com todos nossos equipamentos,” diz Nick. É a tarde do concerto em Phoenix, e os Jonas Brothers estão voando até o show em um avião fretado Gulftream 64 com cadeiras de couro cor de café.
“Big Bertha,” diz Joe. “Tinha um amasso nela, e nós virávamos os assentos e chamávamos de –“
“O lounge dos Jogadores,” diz Nick, sorrindo.
Kevin estende o braço e me mostra uma pequena tela presa à parede. “A coisa mais incrível desse avião? Tem câmeras por todo o lugar.” Ele troca de canal. “Essa é a asa.” Ele troca de novo. “Essa é a outra.” Troca. “Isso é embaixo.”
Nos fundos do avião estão sentados os pais Jonas, Kevin Sr. e Denise, também como McIntyre, Big Rob e a assistente pessoal dos rapazes, Felícia Culotta, que, como Big Rod, costumava trabalhar na trincheira bubblegum* para Britney Spears. Enquanto nós conversamos, uma bonita atendente de vôo entrega o almoço: palitos de franco da KFC.
“Uma vez fizemos um show em Jersey,” diz Nick, mastigando um palito de frango. “Foi, falando sério, o pequeno clube de rock mais horrível do mundo. Deviam caber talvez umas 50 pessoas. Quando nós chegamos lá, o cara disse que teve uma banda de heavy-metal na noite anterior que estourou o sistema eletrônico dos amplificadores, então eles teriam de tirar os monitores e virar eles.”
“Era fora de controle,” diz Kevin. “E nossas platéias eram interessantes.”Interessantes?
“Curiosas,” diz Nick.
Joe ri. “Era como quando você toca na terceira série ou quando sua irmã mais nova tem um concerto de balé. Eles todos fazem assim –“ ele coloca no prato seu palito de frango e bate palmas uma vez, devagar. “Era bem assim.”
“Tinha potencial,” diz Nick. “Como se pudesse ser uma loucura. Mas ainda não tinha chegado lá.”
Apesar de sua proximidade, os Jonases não são exatamente parecidos. Kevin, o mais velho, é o extrovertido, conversa com os motoristas de ônibus e seguranças, se abaixando de joelhos para cumprimentar crianças pequenas nos shows. O do meio, Joe, que lembra uma versão mais bonita do ator Peter Gallagher, é o Jonas mais quieto, com um alter ego selvagem que se revela no palco, onde ele gira seus quadris e roda com o apoio do microfone como se fosse um sabre de luz. “Eu realmente me inspiro em Mick Jagger e Freddie Mercury – os maiores homens de frente do palco,” ele diz. “Eu ouvi falar que o Mick Jagger faz uma hora de esteira antes de cada show.”
Nick, por contraste, é o chefe dos Jonas Brothers – o porta-voz, o melhor músico, o compositor-chefe das letras de música. Pode parecer estranho para Joe e para Kevin receber ordens do seu irmão mais novo, mas os Jonases não vêem dessa maneira. “Nicholas sempre foi mais velho do que ele é,” o pai dele me conta. Apesar de seu status de conquistador de corações, Nick tem mais de Eddie Vedder nele do que de Shaun Cassidy. Ele conta que suas músicas favoritas são as de Elvis Costello “(I Don’t Want to Go to) Chelsea” e “Give My Love To Rose”, de Johnny Cash.
Nick conta que ele gostaria de fazer um álbum tributo Jonas-Cash. “Nós poderíamos chamar de os Jonas Brothers fazem um tributo ao Homem de Preto,” ele diz.
Naturalmente, os Jonases começaram a virar alvo de tablóides, e todos eles parecem se divertir com as fofocas sobre seus relacionamentos. Ultimamente, Joe tem se desviado do rumor – e por se desviar, eu quero dizer totalmente se divertindo – de que ele está namorando a cantora de música country Taylor Swift, que foi vista na platéia de um concerto em Dallas e que irá aparecer no filme 3D da banda por vir. Kevin foi fotografado em um barco em Miami com uma deslumbrante morena chamada Danielle.
“Eu entendo,” diz Joe. “Quando eu era jovem, eu queria saber o que as minhas bandas favoritas estavam fazendo o tempo todo. E é divertido quando tem um boato. É engraçado quando você descobre que tem outras celebridades com quedas por você, como quando eu li que a Lauren Conrad do programa The Hills gostava de mim.”
Nick concorda. “O boato sobre a Kim Kardashian [sobre mim] foi hilário,” ele diz. “Eu fiquei lisonjeado, mas eu fiquei pensando, ‘Reggie Bush iria me matar! ’”
Claro, Nick sempre foi perseguido por uma especulação sobre seu relacionamento com uma garota em particular: Miley Cyrus, também conhecida como Hannah Montana, o dínamo da Disney que ajudou a revelar os Jonas Brothers quando ela os trouxe para o seu programa de TV e para a Turnê Best of Both Worlds.
“Teve um momento em nossas vidas que nós estávamos muito próximos,” Nick diz suavemente sobre os boatos com Miley. “Nós éramos vizinhos quando estávamos em turnê juntos. Foi bom. Muito próximo. Mas me fazia rir demais – eu lia essas histórias na internet, pessoas dizendo coisas que eram completamente mentira.”
Lendo as fofocas de Nick e Miley, você sente que a América está com pressa de fazer um Reino Mágico de Charles e Di. Afinal de contas, o motor primário por trás do fenômeno Jonas Brothers – fora os próprios irmãos – é a companhia Walt Disney, que ganhou milhares de dólares cobrindo os adolescentes americanos com um banho de sol de entretenimento musical para todas as idades. Com seus vários subsidiários – incluindo o canal Disney, a Radio Disney e uma gravadora, a Hollywood Records, sem mencionar os parques temáticos e o armamento de marketing – Disney construiu uma casa poderosa com as franquias do século 21 como High School Musical e Hannah Montana. Em uma era onde as companhias musicais lutam para se conectar com compradores de discos, a Disney prospera cultivando uma demografia que foi altamente ignorada. “As pessoas não acham que tem muito comprando poder, mas elas têm,” diz o presidente da Disney Robert Iger. “Nós decidimos que eles deveriam ser nossa demo principal.”
Os Jonas Brothers, obviamente, são gratos por todo apoio da luva branca de Mickey. A Disney, afinal de contas, pescou os garotos do abismo do pop-rock e inseriu-os no Hannahverso, expondo-os a milhões de consumidores aficionados (abrir para Miley Cyrus em ’07 era um pouco como rebater na frente de Babe Ruth em 1927). Mas hoje em seu jato, os Jonases querem que todos saibam que eles não foram feitos em um laboratório da Disney por demografistas usando chapéus de rato, que eles tocam seus próprios instrumentos, escrevem suas próprias músicas, e que, sim, eles são, de fato, irmãos.
“As pessoas nos perguntam isso o tempo todo,” diz Kevin. “Vocês são realmente irmãos?”
Joe ri. “E é tipo, não, nós nomeamos nossa banda de Jonas Brothers porque era divertido.”
A história dos Jonas Brothers começa na suburbana Nova Jersey, em uma cidade chamada Wyckoff, não muito longe da ponte George Washington para Manhattan. Kevin Sr. e Denise, que se conheceram na faculdade de Christ for the Nations Bible em Dallas (Kevin Sr. era o músico bonitão do campus), mudaram sua jovem família para Nova Jersey do Texas em 1996 quando Kevin pegou um emprego como pastor na Igreja local Assembly of God. A família morava em uma casa de tijolos vermelhos, de dois níveis nas proximidades. O automóvel da família Jonas era uma Toyota Camry de 1992. Uma grande noite de família era um filme alugado – Um Grande Garoto era um favorito – e caçarola de batata doce.
Nos domingos, a família ia assistir Kevin Sr. dar seu sermão semanal e tocar canções, algumas que ele mesmo tinha composto, em sua guitarra. As crianças cantavam também. “Nós crescemos na Igreja, tocando com nosso pai no palco,” diz Kevin. (se você for ao YouTube – ou o GodTube – você pode encontrar um vídeo dos pequenos Kevin e Joe cantando “I Am Amazed” com seu pai em Dallas.)
Mas o papai Jonas também tinha uma fixação em música pop. Kevin Sr. criou seus garotos com as melodias de James Taylor e Carole King, e até seguiu a carreira de produtores do Power-pop. “Nós recebíamos amigos, e ficávamos ouvindo o novo cd dos Backstreet Boys, e ele falava como Max Martin era incrível,” diz Nick, referindo-se ao solitário produtor suíço de boy bands. Kevin fala, “o pai sempre pegava a parada da Billboard e a dissecava.”
Quando ele era pequeno, Nick acompanhava sua mãe ao salão de cabeleireiro, onde ele caminhava entre espelhos cantando Backstreet e fazendo um showzinho por dinheiro para comprar doces. Um dia, uma mulher que estava lá cujo filho esteve no elenco de Les Miserables na Broadway. “Ela disse, ‘Você tem um agente? ’”, lembra Kevin Sr. “Ela disse, ‘Ele precisa de um agente, porque meu filho fazia isso, e ele pode fazer isso.” Parece uma trama do Frank Capra, mas Nick logo conseguiu papéis em shows como A Christmas Carol, Annie Get Your Gun, A Bela e a Fera e, mais tarde, Les Mis. Kevin Sr. vinha e voltava com seu filho da cidade, analisando as harmonias e as pontes de grandes como Stevie Wonder. “Todo o caminho pra casa e de volta, nós escrevíamos músicas,” diz Kevin Sr.
Nick ainda mantinha uma agenda escolar completa, faltando às quartas-feiras para as matinês. Enquanto isso, Joe montava sua própria carreira nos palcos (ele fez o Artful Dodger em Oliver!), e Kevin se aventurava em comerciais. Denise Jonas, uma bonita ex-professora de linguagem dos sinais que abençoou seus garotos com seu fantástico cabelo castanho cacheado (e que confessa que sua paixão adolescente era o Mark Hamill de Star Wars), lembra de levar os garotos às audições enquanto ela estava “cheia e grávida” com seu quarto filho, Frankie (que agora tem sete anos e é conhecido como o “Bônus Jonas”).“Eu realmente observava os outros pais,” diz Denise, 42 anos. “Eu pensava, ‘Sou uma novata, e eu não quero cometer nenhum erro que possa ser prejudicial para nós como uma família ou suas carreiras na estrada. ’ Nós pesávamos cada coisa. Às vezes eles nos mandavam um roteiro que era cheio de linguagem não apropriada para um garoto de sete anos.”
“As pessoas costumavam falar, ‘Vocês não estão preocupados em ter seus filhos nesse meio? ’” Kevin Sr. lembra. “Mas eles estão fazendo Les Miz, La Bohème – lindos trabalhos de arte.
Em 2004, a gravadora Columbia Records assinou um contrato com Nick, e pouco depois ele lançou Nicholas Jonas, um álbum de músicas espirituais na maioria (uma parte de “Dear God”: “Querido Deus, as pessoas pegam as suas palavras e tentam distorcê-las/ Eu sei que você não pode estar feliz com o que está acontecendo aqui embaixo”). Mas a Columbia viu potencial em um trio Jonas. Um álbum foi feito (It’s About Time), e um trabalho maçante de shows estranhos (abrindo para a turnê de Natal Cheetah-licious das Cheetah Girls) começou. Os Jonases todos começaram a pegar distâncias maiores de sua escola, Eastern Christian, para tocar.
“As crianças achavam que nossa família era da máfia,” diz Nick.
Mas por volta da mesma época, uma crise Jonas aconteceu. Joe e Nick tinham ido para um retiro quando Joe notou que seu irmão mais novo tinha perdido uma parte alarmante do peso. “Nós fomos nadar, e ele tirou a camiseta, e eu pirei,” lembra Joe. “Ele parecia um esqueleto.”
Nick foi levado para o hospital, onde os médicos o diagnosticaram com diabetes. “Eu não sabia se nós poderíamos continuar como uma banda,” diz Nick. Denise dormiu ao lado de Nick no hospital. “Os sentimentos que passam por você são tão vastos,” ela diz. “Há tristeza, porque ele perdeu sua saúde. Há culpa – ‘O que eu fiz com o meu filho? ’ Você não é educada sobre o que é aquilo. Assim que eu entendi, eu pude liberar isso.”
“Depois do segundo dia no hospital, eu me dei de conta que ficaria tudo bem,” diz Nick. “Só levaria tempo e compreensão para lidar com aquilo.”
A bomba de insulina que o Nick prende à suas costas tem um pequeno cateter que estabiliza o nível de insulina em seu sistema. É conectado a um aparelho sem fio que Nick guarda no bolso de seus jeans; ele o confere regularmente para monitorar seus níveis. Todo dia, ele fura o dedo até 12 vezes para checar se ele precisa corrigir seu nível de açúcar no sangue. Virou uma rotina diária, de costume.
“Estou obviamente bem agora, mas quando você fica sabendo que tem diabetes, tem uma coisa chamada o período lua-de-mel,” diz Nick. “Esse é o período depois que você foi diagnosticado, e seu nível de açúcar no sangue está por todo lugar.” Ele disse que levou nove meses para se sentir ele mesmo novamente. “Depois que você encontra um padrão com a diabetes, você pode ter normalidade.”
“Não posso falar o quanto é frustrante ouvir pessoas fazer pouco de diabetes porque se pode fazer manutenção,” diz Kevin Sr. “Eles nunca tiveram que sentar em um ônibus quando uma bomba não funcionava e uma segunda bomba não funcionava – isso foi semana passada – e uma terceira não funcionava, e ele teve que dar a si mesmo uma injeção quando estávamos dirigindo em alta estrada. Todo mundo na nossa equipe está em total alerta, cuidando cada movimento que o Nick faz no palco todas as noites de sua vida.”
Após o diagnóstico de Nick seria uma boa época para que os Jonas Brothers tivessem uma parada. Mas não aconteceu. Apesar da turnê interminável, a Columbia Records os chamou no início de 2007 e disse que não lançaria um segundo álbum da banda.
“A razão que eles nos deram era que ‘Os medidores não estavam lá, ’” diz Kevin Jonas Sr. “Foi devastador”.
Ainda assim, mesmo depois da separação com a Columbia, os Jonases haviam chamado a atenção de Bob Cavallo, o presidente do grupo Buena Vista Music e ex-empresário de bandas como Lovin’ Spoolful, Earth, Wind and Fire, e um cantor de R&B obscuro de Minneapolis chamado Prince. Impressionado com a musicalidade dos JB’s, Cavallo os levou até Bob Iger, e o resto é história da casa do Mouse. O primeiro álbum dos Jonases pela Hollywood Records, Jonas Brothers, vendeu U$1.4 milhões de cópias. No ano passado, os Jonas Brothers ganharam divulgados U$12 milhões como grupo. Recentemente, eles assinaram um contrato multimilionário com a Live Nation, a companhia de venda de shows que também administra o U2 e a Madonna. Os clã dos Jonas agora vive em Los Angeles e acabaram de se expandir para uma nova casa em Dallas, não muito distante de um elegante clube country.
“É como se fosse um lugar qualquer para ir nas férias,” o jovem Kevin diz. “Nem parece real. Eu entro em um carrinho de golfe, e vou direto para o percurso. Eles falam, ‘Ei, Sr, Jonas, você vai jogar hoje? ’ É a melhor coisa.”
O ingrediente secreto do fenômeno Jonas Brothers? Uma super divulgação pessoal. Eles podem usar calças skinny e gravatas finas, mas os garotos rejeitam ao máximo que astros do rock devem sempre ser maneiros. A banda passa horas criando vídeos caseiros sobre qualquer coisa desde a nova faixa de cabeça do Joe até a comida no camarim do The Oprah Winfrey Show. Eu assisti a um vídeo do Joe batendo em Nick na cabeça com um taco de baseball de plástico que teve aproximadamente 8 milhões de visualizações. Em turnê, eles até mostram um vídeo Jumbotron do Nick colocando sua bomba de insulina. O clipe ganha gritos agudos, visto que tem também uma espiada à pele de Nick. “Acho que vamos editar aquilo,” diz Kevin Sr., balançando a cabeça. “Não é o lugar certo para que elas gritem”
E aí tem também os já famosos Meet and Greets dos Jonases. Muitas bandas fazem isso – encontros obrigatórios com patrocinadores, vencedores de concursos, amigos de amigos e VIP’s locais. Mas os Jonas Brothers levam isso ao extremo da paciência. Em Dallas eu assisti eles cumprimentarem mais de 400 fãs em um calor de quase 38 graus.
“Eles são o novo negócio da música – trabalhe duro, toque seus fãs,” Brad Wavra, um bronzeado, animado vice-presidente da Live Nation, me conta enquanto assistimos o cumprimente-e-sorria em Dallas. “Nós conhecemos uma banda que costumava contar o número em seus meet-and-greets – se tivesse que ser 50, e tivessem 51 pessoas lá, eles não iriam falar com essa 51ª criança.”
“Você tem 300 pessoas no lobby do seu hotel, isso não é um problema,” diz Johnny Wright, um maestro de boy bands de longa data que também é conselheiro dos JB’s. “Isso é uma benção. Não saia pela porta dos fundos. Saia pela da frente.”
Até agora, os Jonases abraçam esses rituais. Eles prestam muita atenção ao seus meet-and-greets, reparando no número cada vez maior de adolescentes mais velhas usando vestidos vermelhos e salto alto (uma roupa mencionada no novo single da banda “Burnin’ Up”), e mães amorosas. “Os pais fazem piadas tipo, ‘Tire as suas mãos da minha filha’”, diz Nick.
Se tem um assunto que os Jonas Brothers estão cansados de falar, é sobre seus anéis de pureza. Uma tarde no ônibus de turnê da banda, onde a geladeira é cheia com Dr. Pepper diet, sorvete Dibs e sanduíches Smucker’s Uncrustables PB&J, eu pergunto a eles sobre os anéis prateados, que são mencionados em quase toda coletiva de imprensa dos irmãos.
“Nós já falamos o suficiente sobre isso,” diz Nick abruptamente. “Nós preferimos focar na música e no nosso filme.” Eu insisto um pouco mais. Porque não falar sobre isso? Afinal de contas, suas fãs (e seus pais) gostam do fato de eles usarem. Todo lugar que eu vou nas multidões em concertos, garotas mostram seus anéis. Uma porta-voz de James Avery Craftsman, um grande joalheiro de base cristã, me conta que as vendas dos anéis da linha “True Love Waits” da companhia aumentou 25% esse ano. “Nós não podemos dizer com certeza porque, mas aumentou,” ela diz.
Depois da minha segunda tentativa, Joe olha para Nick. “Vá em frente,” diz Joe.
“Bem,” diz Nick calmamente, “para nós, os anéis são um lembrete constante de viver uma vida com valores. É sobre ser um cavalheiro, tratar as pessoas com respeito e ser os melhores rapazes que pudermos ser.”
Foi algo que vocês todos decidiram usar colaborativamente?
“Todos nós colocamos em um ponto em nossas vidas,” diz Kevin. “No nosso próprio tempo.”
É o único momento em que o ambiente fica tenso com os irmãos. Fé e cultura pop pode ser uma mistura complicada e normalmente um terceiro corrimão com a mídia. Os Jonases não escondem sua espiritualidade, mas eles não estão tentando converter, tampouco.
“Em um nível pessoal, fé é extremamente importante,” diz Kevin Jonas Sr. “Mas eu meio que me contraio involuntariamente toda vez que eu leio referências a eles como sendo uma banda cristã, pela simples razão de que eles não tocam música Cristã. Provavelmente por causa do meu passado, os garotos são agregados ao gênero musical cristão. Mas não é o gênero deles.”
Enquanto as controvérsias modernas de música pop continuam, se preocupar em ser visto como uma banda cristã é um problema bom de ter. A Disney já sofreu as penas com Miley Cyrus, que teve sua imagem mudada depois de a Vanity Fair publicar uma foto sua de costas de fora por Annie Leibovitz que, dependendo de quem você falasse, achava um trabalho de arte elegante ou prova de que nós estávamos um passo mais perto do apocalipse. Enquanto Iger da Disney acha que o assunto Miley passou do ponto – “Uma reação exagerada e grosseira”, ele diz – ele entende os desafios de se ter clientes da imagem da Disney investida no imprevisível negócio do rock. “É complicado,” diz Iger. “Não há garantias quando se fala dos artistas envelhecendo e no comportamento que muda com a idade. A chave é colocar isso em perspectiva.”
Os Jonases admitem que sentem essa pressão. “Eu acho que nós sempre tentamos viver nossas vidas com alguns padrões,” diz Nick. “A parte boa é que nós temos um ao outro. Na estrada, Joe e eu dividimos o quarto, então conversamos quando estamos na cama e ficamos conversando até as 02:00 da manhã. Nós temos esse relacionamento onde podemos realmente conversar sobre qualquer coisa.”
Quanto aos problemas de Miley, Nick fica protetor: “Ela é nossa amiga,” ele diz. “E nós sempre vamos ficar do lado dela.”
No final, realmente (e assustadoramente) é trabalho dos rapazes mesmo. Controle total e supervisão de um ídolo adolescente é uma diversão – vá perguntar à Lane Spears. Sempre existe tensão entre as demandas do negócio e rebelião adolescente.
Eu pensei nisso quando eu conheci Demi Lovato, a co-estrela de 15 anos com os Jonases em Camp Rock, que está abrindo para os garotos nessa turnê. Uma garota explosiva de cabelos castanhos de Dallas, no palco Lovato parece mais uma sobrenatural Pat Benatar do que uma rainha graciosa do pop.
Eu ouvi falar que Lovato é fã de metal, e nos bastidores, enquanto ela se prepara para sua única música com os Jonas Brothers em seu show, ela confessa sua admiração pelos headbangers. “Eu tive um ex-namorado que era muito metaleiro,” ela explica. Quando perguntei, ela fala de algumas de suas bandas favoritas de metal: Glendale, Job for a Cowboy do Arizona (uma mostra de letra: “Nauseada/ Ela engasga em seu próprio vômito emitido por sua distendida e dessecada garganta”) e Dimmu Borgir da Noruega (álbum clássico: Death Cult Armageddon – Culto da morte no Armageddon).
“Eu não quero que as crianças escutem Job for a Cowboy,” diz Lovato cautelosamente. “Mas tem uma coisa única no metal. Quando alguém vem em um microfone e grita – eu não consigo fazer isso. Eu escuto música pop e penso, ‘Ok, eu entendo’ – mas isso não me fascina. O que me fascina é o metal.”
Por um segundo, Lovato parece nervosa, como se ela tivesse dito uma coisa terrível que logo a teria servindo de garçonete no Applebee’s local de Dallas. Ela se pergunta se deveria ter sequer mencionado as bandas. “Eu acho que [o presidente do canal da Disney] Gary Marsh me mataria.”
Talvez. Mas eu acho que isso a faz soar como se tivesse 15 anos, e totalmente incrível.
A única coisa que você não precisa lembrar os Jonas Brothers é que o sucesso pop adolescente tem uma vida curta. Eles receberam o seu memorando, obrigado. Eles sabem que os fenômenos pop de hoje em dia são os caídos na estrada do VH1 de amanhã, e para cada fã leal, tem uma pessoa que odeia altamente prevendo sua morte rápida.
Naturalmente, os Jonases dizem que querem fazer música para sempre. E porque eles são capazes de escrever músicas, isso é mais fácil de acreditar do que se você tivesse escutado isso de, digamos, o elenco do High School Musical. Os caras estão ansiosos para ouvir a reação ao seu último disco, A Little Bit Longer, esperando que as pessoas os vejam como uma banda de rock e não apenas como uma passageira obsessão adolescente. Nick admite que ele já fantasiou gravar usando um pseudônimo. “Seria ótimo,” ele diz. “Talvez até escrever músicas para outros artistas assinando com outros nomes.”
Você sente que Nick poderia jogar fora toda essa coisa de astro do rock e ser feliz. “O sucesso é ótimo,” ele diz durante um momento privado naquela vôo para Phoenix. “Mas nós escrevemos nosso último disco enquanto estávamos sendo largados e tocando para 10 pessoas. Nós sabemos o que é fazer isso apenas por diversão.” O desafio, é claro, é fazer com a platéia dos Jonas amadureça junto com eles e não que cresçam e os rejeitem como se fossem um elefante rosa de pelúcia. Mas isso é difícil – nem muitas bandas são capazes de ir de Please Please Me até o Rubber Soul. Até agora, os Jonases não tem mostrado muito interesse musical em política ou problemas mundiais. “Eu não acho que nós algum dia quisemos ser uma banda que fosse política, porque isso começa a ficar cabeludo,” diz Kevin.
O truque é pegar colocar as margens da sua vida real em sua música, o que não é fácil se sua vida real é protegida pela Disney. Mas no momento a parte calma do show é “A Little Bit Longer”, um hino melancólico que Nick escreveu sobre sua batalha com a diabetes; não é exatamente um material de cante-junto-na-minivan. E o novo álbum de Cyrus contém muitas músicas de dor de término de relacionamento, que com certeza serão creditadas a Nick, mesmo se a Disney não toca nesse assunto nem com uma varinha mágica de 3 metros.
Logo antes de eu ir embora, tem um momento engraçado. Minha última noite na turnê, no anfiteatro Verizon Wireless em Irvine, Califórnia, uma foto é tirada logo depois da reza pré-show. Por alguma razão, tem muita preocupação sobre isso; um agente publicitário da Disney está ansioso e educadamente pede que seja deletada.
Enquanto o publicitário faz um caso, o concerto dos Jonas Brothers está começando. Nick, Joe e Kevin passam pela gente com Big Rob na cauda, as luzes se apagam, e tem um som claro de liberação em massa de dopamina e oxitocina. A área dos bastidores começa a vibrar, mas tudo que eu consigo pensar é sobre aquela foto. O que possivelmente poderia ser? Porque o agente da Disney iria querer apagá-la? Seria o Nick beijando uma garota? Joe colocando uma peruca? Kevin jogando ping-pong com o diabo? Bebidas? Drogas? Dick Cheney?
Mais tarde naquela noite, eu finalmente pude ver a fotografia. É uma foto de Nick, Joe, Kevin e, sim, uma linda jovem morena usando uma blusa vermelha. Nick tem seu braço ao redor da garota, e o braço da garota nas suas costas. Seu nome é Selena Gomez, ela é a melhor amiga de Demi Lovato e uma grande estrela do canal da Disney. A genuína afeição na foto é óbvia; os caras parecem ser os irmãos mais sortudos do planeta.
E se você quiser um tempo selado, foi um minuto antes de os Jonas Brothers, uma humilde banda de família de Nova Jersey, subir ao palco para tocar para um show vendido a frente de 15 mil pessoas, quando eles estão no extremo de ser uma das maiores bandas da América.
Aquela foto não parece problema. Parece com o melhor tempo de suas vidas.




[Da edição número 1058 – 7 de agosto de 2008]

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